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Diferença entre Psicologia Clínica e Psicoterapia
Oct 5th, 2009 by Katlyn Kelly

Gostaria de discutir aqui um pouco da diferença entre Psicologia Clínica e Psicoterapia, uma dúvida muito comum entre estudantes, psicólogos e pacientes.

O que é Psicologia Clínica?
De acordo com a Wikipédia, a enciclopédia colaborativa mais famosa da internet, o verbete se apresenta da seguinte forma:

“Psicologia Clínica é a parte da psicologia que se dedica ao estudo dos transtornos mentais e dos aspectos psíquicos de doenças não mentais. Seus temas incluem a etiologia, classificação, diagnóstico, epidemiologia, intervenção (prevenção, psicoterapia, reabilitação, acesso à saúde, avaliação) (Perrez & Baumann, 2005).

Em língua inglesa se usa, ao lado do termo clinical psychology, também o termo “abnormal psychology”. Este último é ora usado como sinônimo do primeiro (ex. Kring et al., 2006), ora significando apenas a descrição e a etiologia dos transtornos mentais (ex. Eysenk, 1973).”

A Wikipédia divide a Psicologia Clínica nas seguintes áreas: Transtorno mental, Psicodiagnóstico, Intervenção psicológica, Ética em psicologia clínica e Psicologia da reabilitação.

A Psicologia Clínica é, pelo que entendo daquilo que já li a respeito, uma área da Psicologia que contempla várias atividades. Estas atividades envolvem o estudo da origem das doenças psíquicas, a descrição e o tratamento delas; as formas de prevenção de tais doenças e todas as intervenções do psicólogo que visem a redução do sofrimento ou a cura.

A minha definição logo acima é um tanto pragmática e deixa de fora algo fundamental, que é a Ética (estritamente filosófica), mas que merece uma consideração especial por ser de extrema relevância e complexidade. Isso ficará para outra ocasião.

O que é Psicoterapia?
A enciclopédia livre da internet também tem o verbete Psicoterapia em português:

“Dá-se o nome “métodos terapêuticos clínico-psicológicos” às formas de intervenção da psicologia clínica que têm por fim influenciar os transtornos mentais ou psíquicos. Tais trantornos podem se dar em diferentes níveis: no nível das funções psíquicas (percepção, memória, aprendizado, etc.); no nível dos padrões de funcionamento (representados por síndromes e diagnósticos) e no nível dos sistemas interpessoais (casal, família, etc.). O termo psicoterapia se identifica mais fortemente com as intervenções psicológicas direcionadas aos padrões de funcionamento e aos sistemas interpessoais e menos com as direcionadas ao funcionamento das funções psíquicas.

Todas as formas de intervenção clínico-psicológicas têm em comum a utilização de meios psicológicos, o serem direcionadas para um fim específico, o serem baseadas no corpo teórico da psicologia e o serem praticadas por pessoal especializado em um determinado contexto formal (setting).”

Se pensarmos que a Psicanálise é uma disciplina que não está no domínio da Psicologia, mas vale-se de meios psicológicos para intervir e influenciar os transtornos mentais ou psíquicos, não poderemos afirmar que a psicoterapia é parte da Psicologia Clínica. A psicoterapia nem sequer é uma área profissionalmente de domínio do psicólogo. Os médicos e psicanalistas, por exemplo, realizam psicoterapia legalmente.

O que os médicos não podem fazer é utilizar testes psicológicos. Esta é uma atribuição exclusiva do psicólogo e faz parte das atividades da Psicologia Clínica. Qualquer avaliação psicológica, seja por meio de testes ou dinâmicas, deve ser realizada apenas pelo psicólogo. Mas a psicoterapia constitui uma diversidade de intervenções difíceis de serem conceituadas e, provavelmente por isso, nunca será regulamentada de forma satisfatória.

Não podemos sequer falar de psicoterapia. O mais justo seria falar no plural: psicoterapias. São tantas as abordagens e as teorias que podem ser consideradas psicoterapia, que algumas delas parecem até se contrapor. O Conselho Federal de Psicologia tentou conceituar a psicoterapia na Resolução n. 10/00, ao estabelecer que:

“A psicoterapia é prática do psicólogo, por se constituir, técnica e conceitualmente, um processo científico de compreensão, análise e intervenção que se realiza através da aplicação sistematizada e controlada de métodos e técnicas psicológicas reconhecidos pela ciência, pela prática e pela ética profissional, promovendo a saúde mental e propiciando condições para o enfrentamento de conflitos e/ou transtornos psíquicos de indivíduos ou grupos”

Como eu já disse em outro post, a psicoterapia não foi construída como prática do psicólogo historicamente, nem mesmo está absolutamente apoiada na ciência, até por ser ainda um enigma o que é e o que deixa de ser uma psicoterapia. Algumas psicoterapias, como a psicanalítica, renunciaram à luta de serem reconhecidas como ciência. Sendo ou não uma ciência, e como eu já disse e repito, considero um desperdício discutir a psicoterapia distante de outras disciplinas. Porém, este parece ser o caminho dos psicólogos como corporação, que continuam a debater como (supostamente) manter a psicoterapia sob sua tutela.

Conclusão
As discussões do Ano da Psicoterapia (até agora) representam a seguinte contradição: dialogar com outras disciplinas para marcar a dominância. Foi esta a conclusão que tirei das pautas e do que vi no portal do CFP. Espero que os representantes da Psicologia no Brasil aproveitem 2009 para avançar no discurso sobre a psicoterapia e não mantenham a posição retrógrada e contraproducente que os acompanhou em todos esses anos.

VLADIMIR MELO
Link da matéria no site: http://www.kanzlermelo.com/2009/10/diferencas-psicologia-clinica-e-psicoterapia/

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